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O Deus que nos eleva

Da infância miserável à magistratura, Tânia Carvalho experimentou a transformação...

Eu sou um exemplo vivo do que Deus pode fazer na vida de uma pessoa. Quando criança, lá em Aquidauana (MS), vivi em uma família disfuncional, surgida a partir do casamento, por procuração, de meus pais – alguém reuniu os nomes de ambos, dirigiu-se a um cartório e registrou a união. Não havia amor verdadeiro ali; tanto, que meu pai sumia de casa, largando a mulher e os filhos, e passava semanas, até meses sem aparecer. Já a minha mãe passava o tempo à base de remédios fortíssimos. Nesse tipo de ambiente, era natural que eu crescesse por minha conta mesmo, sem qualquer orientação ou incentivo para estudar. Eu frequentava a escola pública em Aquidauana (MS), onde nasci, mas era uma menina triste, constantemente humilhada pelos colegas que sabiam da minha situação. Na época, ainda não havia a expressão bullying, mas era exatamente isso que eu sofria. 

Com apenas nove anos, fui vítima de uma tentativa de estupro por parte de um homem adulto, mas minha mãe não me deu crédito. Em outra ocasião, surpreendi meu pai com uma prostituta dentro de casa. Se o lar era completamente desajustado, a situação financeira da família também era péssima. Eu via as outras crianças comendo sorvetes e brincando nos parques de diversões e me sentia excluída daquilo tudo. Um dia, passando pela ponte sobre um rio, senti vontade de me atirar dali, tal era meu desespero diante da vida. Hoje, porém, conheço aquela força maior que impediu meu suicídio. Resolvi, então, ganhar uns trocados vendendo garrafas e ferro velho. Não deu muito resultado. Cansada da miséria, e querendo de alguma maneira me vingar de meu pai, tentei virar uma prostituta ainda na adolescência. Bebi muito para conseguir fazer aquilo, mas o primeiro “cliente” que tentei abordar teve uma atitude de amor comigo. “Não faça isso com você mesmo”, ele disse. “Jesus ama você”. Eu nunca havia ouvido palavras semelhantes, e dali em diante passei e me encontrar diversas vezes com aquele rapaz, que era crente. Por intermédio dele, entreguei minha vida a Jesus e, dois anos depois, casamo-nos.

Estamos juntos já há 50 anos e eu louvo a Deus pela vida de meu marido, Otto, que não apenas me levou a Cristo como me motivou a voltar a estudar. Já casada e com uma filhinha pequena, concluí o ensino fundamental e o antigo 2º grau. Contrariando o que muita gente me dizia, passei em um concurso de nível técnico no Banco Central do Brasil, o Bacen. Mesmo com todas as dificuldades, estudei e consegui uma vaga para estudar Direito na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Já na Procuradoria do Bacen, à qual ascendi por outro concurso público, conheci uma juíza pernambucana, crente também. Fiquei encantada com seus relatos sobre a magistratura e ela me disse: “Por que você não tenta?”. Lembrando-me de minha trajetória de vida, e interessada em obter melhores condições para ajudar minha família, estudei muito e fiz prova para juíza federal do Trabalho. Consegui me tornar uma magistrada, graças a Deus.

Hoje, estou aposentada e dedico-me em tempo integral ao ministério da Palavra, de evangelismo e aconselhamento. Minha missão é proclamar as boas novas da salvação, tratando, com embasamento da Palavra de Deus, as dores existenciais das pessoas. Tento mostrar aos meus ouvintes que todos nós temos talentos e que somos como joias preciosas perante o Criador, para quem nada é impossível. Costumam me dizer que minha trajetória é de superação, mas eu prefiro dizer que é uma história de milagres. Quanto mais o tempo passa, mais eu me apaixono por esse Deus. Se a vida fosse um jogo de futebol, eu já estaria na metade do segundo tempo – mas quero viver ainda a prorrogação e as cobranças de pênaltis servindo ao meu Senhor.

Tânia Tereza Medeiros de Carvalho é juíza federal do Trabalho aposentada e vive em Resende (RJ). Ela dirige, junto com o marido, pastor Otto, o Ministério Rhema, pelo qual realiza palestras e ministrações em todo o Brasil

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