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Sinalizadora do Reino

A Igreja é o resultado da ação de Deus por meio do Espírito.

Que grande desafio ser igreja, hoje. Igreja que é definida de várias maneiras por teólogos, escritores e pensadores através de sua história. Será sempre difícil lidar com instituição, mas não há como escapar dessa realidade. Como definiu o pensador C.S. Lewis, "o Cristianismo já é institucional desde o mais antigo dos documentos. A Igreja, instituição divino-humana, é a noiva de Cristo. Somos membros uns dos outros". Diante disso, certamente os desafios sempre foram grandes.

Jesus, Senhor da Igreja, continua presente na instituição divino-humana. Ele continua nos convidando para a experiência comunitária de sermos sinal do Reino (ou igreja do Reino), e cabe a nós livrarmo-nos "de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve" para melhor correr "com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador de nossa fé" (Hebreus 12.1-2). Mesmo assim, e vendo ainda sinais de vida em tantas comunidades locais que não perderam a visão e nem sua consciência de missão, não podemos pecar pela ingenuidade ao olhar a caótica realidade contemporânea da igreja que se reúne em templos ou, mesmo, em pequenos grupos, e de instituições com traços e formas cada vez mais corporativas. Os acertos, os erros, os escândalos, os conflitos e as crises estão diante de nós, marcados em nossas experiências pessoais e na mídia impressa ou eletrônica.

A questão é que a mídia desconhece como se formata a Igreja em diferentes culturas regionais, demografias e geografias, bem como nas mais diversas realidades políticas. Muitas vezes, nós mesmos, que transitamos nesse meio, nos esquecemos disso. Concentramo-nos em nossa própria localidade, em nossa cidade, em nossa igreja local, e transplantamos para ali nosso umbigo e contexto – inseridos que estamos numa agressiva sociedade de consumo e busca de sucesso e fama a qualquer custo, usamos esses parâmetros viciados como régua para avaliar tudo.

Mesmo com tantas contradições em sua caminhada histórica e presente, a Igreja tem razão, essência e base para continuar existindo, crescendo e revigorando seu compromisso e serviço. Ela é agente de Deus; é através dela que o Senhor cumpre seu propósito reconciliador". Temos, portanto, o desafio de ser expressão visível de Deus aqui na terra, numa vida de amor ao Senhor e serviço ao próximo.

Infelizmente, nem sempre a Igreja, em sua história, foi Igreja do Reino, pregando o Evangelho do Reino, cultivando a cultura e valores desse Reino, sujeitando-se ao Rei e a seu reinado. Certamente, em muitos momentos a Igreja se descaracterizou em sua essência e afastou-se das razões existenciais fundamentais ensinadas por Jesus e seus apóstolos. Não raras vezes na história, a Igreja apanhou-se desfigurada. Em 1973, logo após minha conversão, assisti a um sermão do equatoriano René Padilla durante sua passagem por São Paulo. Padilla falou sobre a natureza da Igreja, sua missão e sua essência. Ele afirmava que a Igreja comprometida com a missão de Cristo deveria entender que seu propósito não é ser grande, rica ou politicamente influente; mas sim, o de encarnar valores do Reino de Deus e manifestar o amor e a justiça, tanto em suas relações interpessoais quanto em seus laços comunitários para servir.

Tempos depois, encontrei em seu livro Missão integral um pouco mais do que ouvi naquela noite: "O Novo Testamento apresenta a Igreja como comunidade do Reino, a comunidade que reconhece a Jesus como o Senhor do universo e por meio da qual, numa antecipação do fim, o Reino se manifesta concretamente na história. A Igreja é o resultado da ação de Deus por meio do Espírito. Ela é o corpo de Cristo e, como tal, a esfera na qual opera a vida da nova era iniciada por Jesus Cristo". Ouvindo isso com tanto entusiasmo, fiquei apaixonado pela oportunidade de ser Igreja e servir ao Reino por meio dela, de forma comunitária, relacional, missionária.

Esse é o sonho que ainda me cativa, anima, encoraja; ele me faz crer que é possível ser Igreja no melhor de sua essência e missão, mesmo diante dos sinais de desgaste e da incoerência dos seres humanos que a compõem. Nossa humanidade está presente. Mas a graça, a misericórdia e o poder de Deus, também. E, nessa presença bendita, vamos colocando nossa esperança!

Ser Igreja em amor e justiça, em profundos relacionamentos, acolhidos e acolhendo tantos de tantas culturas, para a comunhão, o serviço e a missão. Não desistamos!

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