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Ide, uma missão para a igreja

Ir, pois, é o ato que desencadeia todo o processo previsto pelo Salvador.

 

“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado”. Estas palavras estão registradas em Mateus 28.19-20. É sempre importante relembrá-las no dia-a-dia de nossas vidas e na experiência comunitária de nossas igrejas. De fato, a explícita ordem de Cristo não pode ser esquecida ou relegada.

Tal missão foi articulada e desejada de forma conjunta e no mútuo conselho, por nosso Deus Triúno. Ele considerou, em nossa existência, a experiência da queda, que acarretou o distanciamento de sua vontade e desencadeou nossa inclinação ao engano e ao pecado. Essa missão foi construída com amor, compaixão e sabedoria por um Deus que é, em essência, comunitário – Deus Trinitário, que partilha sua existência deliberadamente, de quem testemunhamos e, com nossas vidas e agendas, tentamos servir.

A missão confiada por Cristo a cada um de nós foi planejada para ser executada de forma comunitária pela igreja, que é canal e instrumento de implantação de seu Reino. Individualmente, fomos capacitados na graça pelo Espírito Santo com dons e talentos a fim de que, no conjunto de forças e na diversidade de funções de todos os membros do corpo, conseguíssemos ser o sal e a luz deste mundo, que emite tantos sinais de morte e gritos de socorro.

Essa missão deve ser cumprida e desenvolvida diariamente, apesar de nossas limitações. É aí que entra a riqueza da complementaridade de nossos irmãos na fé, que nos ajudarão a entender a natureza, a essência e a melhor forma de desenvolvimento do sublime encargo. De forma comunitária, vamos sendo sensibilizados pelo Espírito Santo a olhar as necessidades de Jerusalém, de Samaria e dos confins da terra. Hoje, no Brasil, na América Latina, na Ásia, na África e na Europa, homens e mulheres aguardam ouvir o Evangelho de Jesus Cristo, Salvador e Senhor de todos os homens, através do testemunho destemido, amoroso e íntegro daqueles que são seus seguidores em amor e obediência. Em um mundo caído por injustiças, miséria, ganância, guerras e violência, e afetado pela exploração do ser humano e pelo radicalismo religioso, nós podemos constatar a urgência do anúncio do Evangelho de Jesus. Precisamos desafiar mais e mais pessoas a seguir seus ensinos e o projeto de vida preconizado pelo Filho de Deus.

Ao longo da história, já vimos o Evangelho influenciar culturas, mudar políticas, inspirar leis. Hoje, esse mesmo Evangelho jaz esquecido, abandonado por causa do esfriamento do amor de muitos. Não há dúvida de que o secularismo, a ausência de valores que promovam a dignidade humana e a rebeldia e orgulho do homem criado à imagem de Deus para amar e servir ao próximo dificultam muito o cumprimento da missão por seu povo. Por isso, é importante não abandonar o ensino, a pregação, a articulação e a experiência comunitária de ser igreja que abraça os valores do Evangelho de Jesus, pois só assim poderemos buscar e viver o seu Reino e sua justiça – sabendo que ele mesmo prometeu que todas as outras coisas essenciais para uma vida digna nos serão acrescentadas.

É isso que deveríamos ensinar a nossos filhos, numa sociedade em que o bem estar pessoal é buscado a qualquer custo. Ao invés de estimular a competição acirrada pelo que é efêmero, precisamos levá-los a priorizar o Reino de Deus, hoje e no futuro.  É o senso da missão a nós confiada por Cristo que deve balizar nossas escolhas e prioridades. Assim, como igreja, em nosso estilo de vida comunitário, a dimensão de vivência da missão de fazer discípulos será consequência natural. É nesse exercício prático e contínuo, partilhando a vida, as capacitações e os recursos, que poderemos cumprir o coração da tarefa que Jesus nos delegou. Em amor e através do serviço abnegado, compromissado, doador e sacrificial vamos acolhendo mais e mais pessoas, que podem ser modificadas pelo poder do Senhor.

Ir, pois, é o ato que desencadeia todo o processo previsto pelo Salvador. Ir significa estar presente neste mundo aflito e sem esperança; é viver junto às pessoas, ajudando-as a perceber que é possível viver com Jesus e para a glória de Deus. Fazendo isso, estaremos sendo e fazendo verdadeiros discípulos, seguidores da cruz.

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