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Consciência cristã

Termos uma nova maneira de pensar é a primeira realidade da vida cristã.

Somos cristãos. Somos um povo que acolheu a mensagem e a pessoa de Jesus como Salvador e Senhor. Assim, pelo menos, nos definimos ou somos identificados pela sociedade, nas diferentes culturas aonde o Evangelho já chegou. De forma visível, somos Igreja, o corpo de Cristo – portanto, deveríamos tentar viver tendo nosso Mestre como referencial. Precisaríamos todos, como cristãos – letrados e iletrados, pobres e abastados, leigos e líderes –, traduzir em nossa vida prática pessoal e comunitária a existência de uma nova mentalidade, de um novo jeito de viver e pensar a vida, sinalizando o que somos e o que poderíamos ser à luz do Evangelho de Cristo.
Termos uma nova maneira de pensar é a primeira realidade da vida cristã, e confunde-se com a própria experiência de conversão. Esta significa, básica e essencialmente, uma mudança de mente (metanoia), uma nova maneira de pensar, baseada na revelação de Deus em Cristo Jesus e em sua Palavra. Segundo o apóstolo Paulo, ganhamos a mente de Cristo, isto é, pela intervenção e obra do Espírito Santo em nós. E Deus, por graça e amor, dá esta capacidade de entendimento e raciocínio a todos, inclusive às pessoas mais simples e humildes, porém, criadas com dignidade, à sua imagem e semelhança.
Essa consciência cristã deve ser nutrida e mantida em oração e comunhão com Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Consciência que vem pelo conhecimento, quando ouvimos e acolhemos sua Palavra, e cremos no Evangelho que trouxe salvação, redenção e uma nova maneira de pensar a criação, a humanidade e nossa própria vida em termos existenciais e relacionais. Evangelho que nos traz a tradução mais profunda do amor encarnado, provado na vida e obra de Jesus na cruz; Evangelho que nos traz responsabilidade e o privilégio de vivermos em sociedade com senso de mordomia no que somos e fazemos para o bem comum e para o crescimento em dignidade de todos.
Com a mente de Cristo, temos a possibilidade de assimilar e praticar o amor, a bondade, a justiça, a misericórdia. Vamos, assim, ganhando uma consciência espiritual política e social, na qual a sabedoria e o discernimento são fundamentais. Consciência de pensar em tudo que é bom, justo, amável e de boa fama, como recomendado por Paulo aos filipenses. E mais – praticar isso na vida de forma contínua, perseverante e responsável. Uma consciência cristã que baliza o que pregamos, professamos e expressamos em obras de amor e misericórdia, e também na arte, na economia, na comunidade acadêmica e científica, na participação social em movimentos que buscam a dignidade da vida e a vivência da justiça. A omissão não evidencia a presença de uma consciência cristã. Pelo contrário: demonstra nossa covardia e a recusa em pensar a fé e a vida de forma cristã.
Como cristãos não podemos fugir e nem deixar de refletir sobre qualquer tema, nem de participar em qualquer realidade da sociedade. Ao contrário; devemos estar presentes, apontando caminhos para que a vida seja preservada, valorizada e ampliada no que tem de melhor, com respeito a todos. Todavia, não podemos ignorar a realidade de que essa consciência cristã tem sido, infelizmente, escassa. Tal vazio se faz sentir não apenas na sociedade, na mídia ou na política, mas, de igual modo, na liderança de igrejas e denominações, na prática religiosa contemporânea e em tantas outras realidades. E são justamente aqueles que pensam, refletem e elaboram o Evangelho na prática; os mestres da Palavra e do ensino – tantas vezes, pessoas simples, que vivem a sabedoria de Deus que nunca lhes foi negada –, que acabam deixando expostos, por seu correto proceder, os absurdos dos que desejam manipular a fé alheia e usá-la com objetivos escusos. Mas somos encorajados pela Escritura a seguir caminho oposto: "Transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus".
Consciência cristã é a evidência maior de que nós, de fato, fomos transformados pelo Espírito Santo, numa real conversão e mudança de mente. Esta mudança nos faz novas criaturas em nossa maneira de viver e proceder na direção do Espirito Santo, em amor e serviço. Não existe, assim, nenhuma área ou dimensão da vida onde o cristão não possa ou deva estar e viver dignamente, com todas as repercussões e preços a pagar por sua identificação com Cristo, sendo sal e luz do mundo. Então, que vivamos com consciência cristã a vida que temos nele.

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