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O desafio missionário

Os missionários são aquilo que de melhor a Igreja brasileira possui.


Conde Von Zinzerdorf, William Carey, Hudson Taylor, David Livingstone, Robert Kalley, Ashbel Simonton e Sadhu Sundar Singh foram algumas das biografias que li no início da minha conversão que tiveram decisiva influência na minha formação espiritual. Páginas heroicas foram escritas pelos missionários que chegaram ao Brasil a partir do século 19 e desbravaram campos pioneiros, nas cidades e no interior. Eles fundaram congregações que deram origem ao movimento reformado e evangélico no nosso país.

O tempo passou. Em 1974, o Congresso Mundial de Evangelização em Lausanne, na Suíça, nos chamou para a missão integral; treze anos depois, o Congresso Missionário Ibero-americano (Comibam), em São Paulo, despertou e desafiou a Igreja brasileira para ser testemunha de Cristo até aos confins da terra. Apesar das dificuldades e de outras prioridades, milhares de cristãos, sobretudo os jovens, ouviram o chamado para servir a Deus em outros contextos geográficos e culturais. Assim se escreve essa história de heróis anônimos que deixaram família, conforto e carreira profissional e foram enviados a lugares remotos, onde o Evangelho ainda não tinha chegado. Muitos se foram para regiões pobres, assoladas por doenças endêmicas, sob conflitos étnicos, guerras e contextos de perseguição religiosa. Nesses campos, foram formados nossos missionários, homens e mulheres dedicados a Cristo e prontos para pagar o preço de tal compromisso.

Eles são aquilo que de melhor a Igreja Evangélica brasileira possui. São testemunhos vivos da força do Evangelho, que move mensageiros e se espalha pelo mundo com sua mensagem redentora e transformadora às pessoas, às culturas e às sociedades. Missionários de caráter irrepreensível, prontos para obedecer e amar sacrificialmente, dispostos a viver com desprendimento e simplicidade, dependentes da providência divina. São homens e mulheres que nunca tiveram visibilidade; trabalharam em contextos adversos; foram rejeitados e adoeceram – contudo, permaneceram firmes, movidos pelo sopro divino que os levou a amar os excluídos, socorrer os pobres e anunciar a esperança de Cristo àqueles que jamais tinham ouvido sobre o Evangelho. Eles foram aonde ninguém ia: aldeias indígenas remotas, grupos étnicos desconhecidos, nações hostis ao Cristianismo. Estiveram também onde ninguém queria ir – nas periferias degradadas, nos bolsões de miséria e violência, nas comunidades marginalizadas. São estes a quem o autor de Hebreus se refere como "homens dos quais o mundo não era digno, errantes pelos desertos, pelos montes, pelas covas, pelos antros da terra."

A Igreja brasileira conta hoje com uma força missionária considerável, embora ainda pequena face ao seu potencial. Eles estão presentes em quase todos os países do planeta e em quase todos os rincões do Brasil, mas nem sempre são reconhecidos e apoiados. São homens e mulheres que se prepararam durante anos aprendendo teologia e idiomas, sempre estudando e angariando fundos para, então, largar tudo e partir para o campo missionário com recursos limitados. Muitos são jovens com formação teológica e antropológica; outros usam sua vocação profissional para atuar como agentes de desenvolvimento.

Todo o povo de Deus deveria conhecer e ajudar a escrever essas páginas da história da Igreja brasileira. Há ainda muito que fazer. Ao entrar em contato com nossas agências missionárias e nossos obreiros, podemos participar desta empreitada com nossos recursos e nossas orações, fornecendo-lhes acolhimento e suporte pastoral. Por outro lado, tê-los por perto significa sermos inspirados e desafiados pelos seus exemplos de vida, de desprendimento, de dedicação e de amor a Cristo e ao próximo. Assim, nos tornaremos uma Igreja que está disposta a abdicar da acomodação e do conforto para servir integralmente na evangelização, no socorro aos necessitados e na capacitação de agentes de transformação social, no Brasil e até aos confins da terra. E isso só acontece quando a Igreja se abre ao sopro do Espírito Santo.

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