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O Evangelho todo para toda a nação

Momento delicado do país demanda ação imediata da Igreja.

Na noite de ontem, manifestações aconteceram em mais de 100 cidades brasileiras. Estima-se que mais de um milhão de pessoas estiveram nas ruas e as reivindicações feitas por elas ecoam como tremendamente justas para a grande maioria de nossa população. O povo brasileiro não suporta mais o descaso para com a saúde, a educação, o transporte e tantas outras áreas básicas para uma vida digna. A nação não suporta mais a corrupção que caracteriza as relações nos poderes executivo, legislativo e judiciário do governo brasileiro.

No entanto, paralelamente, nossa liderança política permanece em profundo silêncio e grande omissão. O maior receio do governo agora é que a FIFA, entidade suprema do futebol mundial, suspenda a Copa das Confederações e coloque em risco a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Enquanto isso, grupos oportunistas se aproveitam dos protestos para outros fins como saquear lojas, depredar o patrimônio público e promover violência gratuita e caos pelas ruas da cidade. A cada dia de manifestação cresce a agressividade entre as pessoas e a primeira morte já aconteceu.

Como Igreja, certamente precisamos orar pela paz na cidade. No entanto, a paz bíblica não pode ser vivida sem que haja justiça. Na cruz, Deus estabeleceu a paz para conosco através da justiça feita em Cristo Jesus. Logo, a mesma igreja que ora pela paz não pode se calar ou omitir diante de injustiças. A paz na cidade depende de governantes que assumam a missão de realmente administrá-la com leis e procedimentos que promovam a justiça, pois é a justiça que promove a paz e não o contrário.

Mas como Igreja de Cristo, neste momento, precisamos também resgatar a centralidade do Evangelho de justiça e paz em nossas palavras e ações. Precisamos redescobrir o poder do Evangelho na transformação da vida em todas as suas dimensões. Foi este mesmo Evangelho que, quando anunciado e vivido, transformou a realidade social de cidades e nações. Gente como John Knox na Escócia, John Wesley na Inglaterra ou Jonathan Edward nos EUA viram, com seus próprios olhos, o poder do Evangelho na transformação de vidas e da realidade social.

Assim, oremos pela paz nas cidades brasileiras. Mas também oremos para que Deus nos dê governantes que promovam a justiça. Mas acima de tudo, oremos para que Deus levante homens e mulheres capazes de resgatar na igreja brasileira a confiança no poder transformador do Evangelho de justiça e paz. E depois de orar, tendo mais claro em nossas mentes e corações a agenda de Deus para sua Igreja nas cidades brasileiras, que nos engajemos na missão.

Ricardo Agreste é pastor da Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera (São Paulo) e diretor do Centro de Treinamento para Plantadores de Igreja

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