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O Vale do Rio Grande e o Ministério Pastoral

A preocupação do pastor deve ser se manter conectado à Fonte da Vida, para ser canal da bênção de Deus.

Ao longo da vida, Deus tem me proporcionado, sem que buscasse, um privilégio que nunca imaginei: a oportunidade de conhecer lugares fantásticos, criados pelas mãos de nosso Deus Criador e esculpidos ao longo dos séculos pelas forças da natureza sob Seu controle.
Em viagem recente, fiz o caminho que liga a cidade de Calama, no norte do Chile, ao vilarejo de San Pedro de Atacama. A paisagem do deserto é simplesmente maravilhosa e inspiradora: um conjunto de planícies áridas, regiões rochosas, montanhas de cascalhos com diferentes colorações. Ao fundo deste cenário, vê-se os picos nevados da cordilheira andina.
Num dos pontos da viagem, chamou-me a atenção um expressivo vale chamado de Rio Grande, onde existe a marca da passagem de um rio. Seu enorme leito está praticamente intacto, mas seco. Um dia, naquele vale, correu um grande volume de água vindo das cordilheiras. No entanto, por diversos fatores, as águas não mais correm por aquele leito e tudo ao seu redor secou.
A imagem deste vale me levou a pensar sobre uma verdade acerca do ministério pastoral. Como pastores, não somos as cordilheiras, fonte primária de água para os vales. Somos como corredeiras ou rios que cortam vales áridos e, com a água que escorrem por seus leitos, promovem vida ao redor. A fonte primária das águas que escoa através de nossos ministérios é o próprio Deus que, com Sua graça, abençoa vidas e promove a transformação.
O problema é que ministérios pastorais podem se transformar em algo como o vale do Rio Grande – as marcas de seu leito são inquestionáveis e é simplesmente impossível não notá-las e admirá-las devido ao seu tamanho e aparência; no entanto, não corre mais a água que mudaria aquela região. Esses ministérios tornam-se estruturas grandes e expressivas, mas áridas no que diz respeito à ação de Deus através delas.
Por outro lado, podemos encontrar ministérios pastorais que, diferentemente do vale do Rio Grande, podem até passar desapercebidos aos olhos de muitos. No entanto, fazem profunda diferença na vida daqueles sob sua influência. Funcionam como pequenos veios de água que descem das cordilheiras e se transformam em pequenos riachos que, por onde passam, promovem vida e transformação. O poder para tal não vem deles mesmos, mas sim da água que escoa através deles, vinda da fonte primária: nosso Deus Criador e Redentor.
Mas, ao fazer esta comparação, não quero estabelecer uma lógica simplista a qual afirma que grandes ministérios são como vales áridos e pequenos ministérios são correntezas de água viva. Isso não seria verdadeiro! Há ministérios pastorais expressivos através dos quais as águas vivas escoam promovendo mudança de vida. Da mesma forma, existem ministérios pastorais pequenos que são áridos, desprovidos de qualquer sinal de vida. A diferença não reside no tamanho, mas na consciência.
Minha intenção é resgatar na vida do pastor a consciência de que nosso papel é manter-nos conectados à fonte primária da vida, nosso Deus. Precisamos constantemente relembrar nossos corações de que a promoção de vida e transformação não se dá por nossas próprias palavras ou atitudes, mas pela maravilhosa graça de Deus que escoa através delas, fazendo diferença nas vidas daqueles que estão sob nossa influência.
Por isso mesmo, nossa preocupação primária não deveria estar em quão notável é nosso ministério pastoral, mas em manter-nos conectados à Fonte da Vida, para sermos canais da bênção de Deus. Além disso, devemos nos precaver para que nossos ministérios, na medida em que crescem e se tornam expressivos, não percam a consciência de que o poder transformador não reside em nós, mas na graça que flui de Deus. Se perdermos a consciência de que somos simplesmente canais e não fonte, nossos ministérios podem se transformar em algo muito parecido com o vale do Rio Grande.

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