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A semente, o campo e o agricultor

O sucesso pastoral não está vinculado à produtividade, mas à fidelidade.

Uma das experiências mais frutíferas que tenho tido ao longo de 26 anos de ministério é participar de encontros com outros pastores. Nessas reuniões, sempre há oportunidade para se conhecer novos líderes e seus ministérios. No entanto, normalmente, pouco mais de cinco minutos de conversa entre pastores que ainda não se conhecem são suficientes para surgir logo a pergunta: 'Quantos membros possui sua igreja?'

O número de membros de uma comunidade cristã, quer queiramos ou não, sempre se torna o ponto de partida para a avaliação de um ministério pastoral bem sucedido ou não. Mas, neste ponto, precisamos tomar muito cuidado. Não estou faço coro com aqueles que justificam sua falta de dedicação na construção de uma postura missional com a famosa frase: 'Nossa igreja não se importa com a quantidade, mas com a qualidade'. Por outro lado, também não estou entre aqueles que, de forma pragmática e simplista, se impressionam com um ministério só por causa dos seus números expressivos.

Refletindo biblicamente sobre esta questão, fui levado a me lembrar de uma das imagens mais utilizadas na Bíblia para se referir àquele que anuncia e ensina o Evangelho de Deus: o agricultor. Jesus faz menção desta imagem ao contar aos seus discípulos a parábola dos diferentes solos. O apóstolo Paulo também faz referência à mesma imagem para explicar aos Coríntios como diferentes trabalhadores cumprem diferentes papéis no cultivo do campo.

Partindo então da imagem do agricultor, gostaria de oferecer duas possibilidades de avaliação de um ministério pastoral bem sucedido, ou não, considerando seus números.

De um lado, temos o agricultor pragmático. Este tipo de trabalhador olha superficialmente a terra e, a partir das informações obtidas por outros que estão tendo sucesso numérico, chega a uma conclusão: esta terra é boa para produzir tal produto. Ele, então, passa a semear e cultivar o produto que aquela terra produz em maior quantidade e rapidez. Ele não tem qualquer compromisso com um produto específico, mas unicamente com a produção.

Do outro lado, temos o agricultor comissionado. Este tipo de trabalhador recebeu um tipo de semente e sua missão é semear e cultivar um produto específico. Ele não tem a opção de semear o que bem entender. Por isso, precisa estudar o solo para conhecer suas potencialidades e limitações. Antes de semear, tem de preparar a terra com cuidado. Assim, sem adulterar a semente, ele trabalha eficientemente no campo onde se dará a semeadura.

Creio que estas duas possibilidades apontam para algumas verdades que pastores precisariam considerar atentamente:

1) Há igrejas que crescem de forma assombrosa, mas isso não significa que a colheita é derivada da semeadura do Evangelho em sua integridade. Por exemplo, em terras brasileiras, se você semear prosperidade, certamente vai colher em abundância, mas o produto colhido não é o mesmo produzido pela semeadura fiel do Evangelho de Jesus. Outros tipos de sementes têm sido semeadas com sucesso em nossas terras.

2) Existem igrejas que, mesmo mantendo uma relação de fidelidade para com a semente (o Evangelho), falham por não se dedicarem no reconhecimento do campo com suas potencialidades e limitações. Jesus, apresentava o mesmo Evangelho de diferentes formas para pessoas que viviam contextos distintos. O apóstolo Paulo afirma que Ele se fez de tudo para com todos a fim de ganhar alguns.

3) Há igrejas que crescem mantendo a fidelidade para com a semente, o Evangelho, mas dedicando-se no conhecimento do campo para o qual foi enviada. Esta junção entre fidelidade para com o Evangelho e profundo conhecimento do campo é ainda associada a uma postura intencional de semear da melhor forma possível e colher o maior número possível.

Desta forma, concordo com aqueles que dizem que nosso sucesso pastoral não está vinculado à produtividade, mas à fidelidade. No entanto, nosso conceito de fidelidade precisa estar ligado não apenas ao compromisso de não adulterar a semente, mas também a intencionalidade de conhecer o campo e trabalhar no mesmo para que a semente produza cem, sessenta e trinta por um.

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