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“O leitor anseia pela verdade”

Com 100 livros publicados, o pastor Hernandes Dias Lopes é um entusiasta da literatura evangélica.

Poucos escritores chegam à marca dos cem livros publicados. No segmento literário cristão, menos ainda – e, no Brasil, a façanha é para poucos. Com Gotas de sabedorias para a alma (Vox Litteris/
Editora Hagnos), o pastor Hernandes Dias Lopes, de 53 anos, atingiu a marca. Ministro presbiteriano, teólogo de renome e conferencista dos mais requisitados, ele começou sua carreira nas letras em 1993, com Batismo de fogo, uma produção própria. O sucesso do livro chamou a atenção das editoras, e logo Hernandes tornou-se querido pelo leitor evangélico. O pastor, líder da Igreja Presbiteriana de Vitória (ES), também dirige o ministério de comunicação Luz para o Caminho e hoje é autor exclusivo da Editora Hagnos, publicadora que editou mais de 80 de seus títulos. "Uma das razões pelas quais tenho tanto entusiasmo em escrever é porque percebo que há muita literatura evangélica vazia de conteúdo em nossos dias", observa. "Muitas delas distorcem a Palavra de Deus. Há morte na panela", comenta, citando a expressão bíblica que dá título a uma de suas obras. Hernandes conversou com CRISTIANISMO HOJE:

CRISTIANISMO HOJE – Vale a pena ser um escritor cristão no Brasil?
Hernandes Dias Lopes – Sim, vale muito a pena. O Brasil é ainda um país que está se abrindo para a leitura. Há muito terreno a ser explorado. Precisamos colocar a mensagem santa do Evangelho nas mãos do povo brasileiro.

O senhor escreve sobre vários temas – devocionais, vida cristã, comentários, família, liderança. Na sua opinião, qual a preferência do leitor evangélico brasileiro?
Cada livro, com sua mensagem peculiar, alcança um público particular e específico. Os comentários expositivos têm sido usados em larga escala por pastores, evangelistas, presbíteros, professores de escola bíblica dominical. Os livros devocionais são muito apreciados pelo povo de Deus em geral. Obras sobre família têm sido usadas por casais e recomendados como texto de apoio para os encontros de casais. Enfim, cada livro encontra o leitor certo e atende a uma necessidade específica.

O brasileiro ainda lê muito pouco, e o crente não foge a esta regra. Qual a sua opinião sobre a literatura evangélica que tem sido produzida no Brasil?
Penso que o povo de Deus sabe distinguir o que é uma boa literatura. O povo de Deus, não importa a denominação, anseia pela verdade – e, quando tem contato com essa verdade, absorve-a com sofreguidão. Acontece que nem sempre o bom livro é o mais popular, e nem sempre a verdade agrada a maioria. Não fomos chamados para a popularidade – o somos para sermos fiéis. As editoras precisam ter compromisso com a verdade mais do que com o lucro. Um livro que explode no mercado, mas leva uma mensagem eivada de heresias, é uma maldição para o povo. Traz morte, e não vida.

E o espaço para os autores nacionais?
Nesses últimos 20 anos, temos visto uma mudança extraordinária neste sentido. Pela graça de Deus, como escritor, sou fruto dessa importante mudança. Não precisamos ter complexo de inferioridade em relação aos autores estrangeiros. Estou certo de que muitos outros surgirão no cenário nacional, para contribuir com a edificação do povo de Deus através da literatura.

Após tantas obras, qual sua motivação para continuar a escrever?
Há muita literatura evangélica vazia de conteúdo em nossos dias e muita distorção da Palavra de Deus. Há morte na panela. Não raro, vemos púlpitos se transformando em balcão e o Evangelho sendo oferecido como produto para crentes consumidores. Precisamos erguer nossa voz do alto da montanha e conclamar o povo de Deus a uma volta para a Palavra – e não há meio mais relevante de fazer isso do que através da página impressa. O livro é trombeta que não se cala. Sinto-me encorajado a prosseguir, pois creio firmemente na palavra escrita para levar pessoas ao conhecimento de Cristo e edificar os salvos. Perpetuamos nosso ministério através dos livros e ampliamos seu horizonte, pois o livro vai onde não conseguimos chegar. O escritor morre, mas o livro permanece. (Carlos Fernandes)

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