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Caos no Caribe

Devastação por terremoto no Haiti desencadeia tragédia humanitária.

O dia 12 de janeiro de 2010 entrou para a história da humanidade da pior forma possível. Naquela data, o Haiti foi sacudido por um violento terremoto que deixou, segundo as contas preliminares, um saldo de 50 mil mortos. Contudo, nas semanas que se seguiram ao abalo, as estimativas de vítimas fatais chegavam a 200 mil. Desde o tsunami que varreu a Ásia já cinco anos,  nenhuma outra catástrofe natural matou tanta gente. Some-se a isso a precária condição do Haiti – de seus 9 milhões de habitantes, 80% vivem abaixo da linha da pobreza na mais pobre nação do Ocidente – e se terá idéia da tragédia humanitária no Caribe. O mundo chocou-se com as imagens de casas e prédios em ruínas, multidões vagando famintas e pilhas de cadáveres espalhados pelas ruas da capital, Porto Príncipe. Um cenário de horror.

A destruição do Haiti foi particularmente dolorida para o Brasil. Pelo menos 18 cidadãos brasileiros morreram nos desabamentos, entre eles a médica Zilda Arns, coordenadora nacional da Pastoral da Criança, ligada à Igreja Católica. A sanitarista estava lá para dar uma palestra a lideranças comunitárias e à população local. Também morreu o diplomata Luiz Carlos da Costa, vice-representante da ONU no país, além de dezessete integrantes das Forças de Paz que são comandadas pelo Exército brasileiro na região. Até o fechamento desta edição, havia a suspeita de que mais brasileiros poderiam estar mortos nos escombros, cuja remoção tem sido lenta e deve durar meses.

Agências humanitárias e equipes de resgate enviadas de todas as partes do mundo, levando equipamentos e suprimentos, enfrentam grandes desafios logísticos para ajudar as pessoas afetadas. Entre elas, grupos cristãos como a Visão Mundial (WV), o Conselho Mundial de Igrejas (CMI) e a Compassion. Famílias inteiras foram dizimadas e milhares de menores ficaram órfãos ou perderam-se de seus pais. A Visão Mundial conta com 370 funcionários agentes de emergência e uma equipe já preparada em todo o Haiti, mas está recebendo ajuda de suas representações em outras nações americanas, inclusive do Brasil. “Nosso país está engajado desde a primeira hora no trabalho de auxílio”, diz Celso Fernandes, diretor nacional da entidade. “Temos grande afinidade com aquela nação. Nossa solidariedade se intensifica nesta emergência.”

 

Carência total – Pode-se dizer que falta tudo: comida, água potável, remédios, roupas, material de higiene e até caixões para os mortos. Cerca de 70 toneladas de kits de sobrevivência foram enviados pela WV americana. O temor das autoridades haitianas e estrangeiras é que a fome e o desespero levem o país à barbárie. Saques, assassinatos e conflitos se intensificaram pelas ruas. Quem tinha casa está desabrigado e não há, no momento, qualquer perspectiva de melhora na situação. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, veio a público anunciar a liberação de 100 milhões de dólares ao país. Somados a doações de outros governos e organismos internacionais – como o Banco Mundial, que liberou outros US$ 100 milhões –, a ajuda financeira já totaliza a metade do orçamento anual do Haiti.

Além do CMI, também as alianças denominacionais presbiterianas, metodistas e luteranas estão encetando ações de socorro. Já a Igreja Episcopal, que tem um amplo ministério que inclui escolas, asilos e centros de treinamento profissional no país caribenho, tem enfrentando dificuldades de comunicação com seu pessoal lá para saber as reais necessidades. A falta de contato com o Haiti tem sido uma das maiores dificuldades para as agências cristãs. Mas o apelo do pastor Jonathan Joseph, missionário no Haiti a serviço da Junta de Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira, dá a exata dimensão do caos: “Nossas casas, igrejas, hospitais e escolas estão destruídos. Não temos internet, água, eletricidade, comida, roupas e medicamentos. Nossas famílias estão passando por dificuldades. Nossos pastores, nossos amigos, nossos irmãos, por favor, nos ajudem.”

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